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Breathing Words

Era de Kali

Publicado por Ana Matos á(s) 2017-03-08 10:09:59

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No outro dia, falava eu com o meu companheiro, ao telefone, em tom de desabafo: este Mundo em que vivemos, o que se passa com ele? E a conversa quase passa a um monólogo (é por isso que acho que tenho a melhor pessoa do Mundo ao meu lado – Obrigada, Universo!), em que me ‘queixo’ porque nos estamos a destruir a nós mesmos. E ainda ontem conversava com os meus alunos acerca disso. Estará a nossa ‘consciência’ mundial a despertar tarde demais? Para Sri Aurobindo, Mestre do Yoga Integral, a Era de Kali já terminou, mas para muitos, está a decorrer. A era de destruição, que culminará em águas turvas e cheias de lodo, de onde voltará a renascer a Flor de Lótus, o que significa quase o renascer das cinzas, o recomeçar, o regresso da pureza. Segundo a “A Doutrina secreta” de H. P. Blavatsky, retirado do Purana de Vishnu, escrito há 5.000 anos: “Haverá monarcas contemporâneos reinando sobre a Terra, reis de espírito mau e caráter violento, voltados à mentira e à perversidade. Farão matar mulheres, crianças e vacas; cobiçarão as mulheres dos outros; terão poder limitado, suas vidas serão curtas, seus desejos insaciáveis; gentes de vários países, unindo-se a eles seguirão seus exemplos; e, sendo poderosos os bárbaros, sob a proteção dos príncipes, e afastadas as tribos puras, perecerá o povo. A riqueza e a piedade diminuirão dia a dia, até que o mundo se depravará por completo; a classe será conferida unicamente pelos haveres; a riqueza será a única fonte de devoção; a paixão o único laço de união entre os sexos; a falsidade o único fator de êxito nos litígios; as mulheres serão usadas como objeto de satisfação puramente sexual; a aparência externa será o único distintivo das diversas ordens de vida; a falta de honestidade, o meio universal de subsistência; a fraqueza a causa da dependência; a liberdade valerá como devoção; o homem que for rico será reputado puro; o consentimento mútuo substituirá o casamento; os ricos trajes constituirão a divindade; reinará o que for mais forte; o povo não podendo suportar os pesados ônus (o peso dos impostos) buscará refúgio nos vales. Assim, na idade de Kali (ferro) a decadência prosseguirá sem detença, até que a raça humana se aproxime do seu aniquilamento (Pralaia). Quando o fim da idade de Kali estiver perto, descerá sobre a Terra uma parte daquele Ser Divino que existe por sua própria natureza espiritual (Kalki Avatar); Ele restabelecerá a justiça sobre a Terra e as mentes que viverem até o fim da Kali Yuga serão despertadas e serão tão diáfanas como o cristal. Os homens assim transformados serão como sementes do verdadeiro homem (Eu Superior).” Tendo este excerto em conta, e sabendo que vamos renascer de todo o mal, eu animo-me. Mas depois também penso que estamos em pleno momento de dor no mundo, e essa energia sente-se por todo o lado: a tecnologia versus o homem – esta é uma conversa que pode ser extremamente longa, mas basta olharmos para nós mesmos para analisarmos! Estamos completamente dependentes de telemóveis. E fomos nós que criámos essa dependência. De que nos serve o Yoga e a nova consciência se não olharmos mais para o céu, para a natureza, ou até mesmo para quem está ao nosso lado, e mais importante de tudo, Nós Mesmos? Preocupa-me esta Era, porque eu vivo nela, e todos os que Amo também. Esta vida terrena, deve ser vivida da melhor forma que pudermos e soubermos; quem procura o Caminho do Yoga tem uma responsabilidade muito grande: além da tomada de Consciência gradual, e pessoal, fazer o melhor pelos outros para que o Mundo se torne um bocadinho melhor. Uma alma de boa energia é melhor do que nada, e todos juntos, ajudamos a mudar, pelo menos quem nos rodeia! Podemos não mudar o mundo todo, mas se cada um de nós acender uma luz, o mundo, na escuridão vai começando a ter alguma visibilidade. Podemos não ajudar o mais cego a ver, mas os que estão perto, esses sim, conseguirão ver melhor, e quem sabe, acender mais umas luzes. Não quero ser profética, mas o que acabei por dizer ao meu companheiro, e que acho que vai acontecer é, quando essas luzes todas permanecerem, e voltarmos a nós, ao nosso ‘Eu Superior’, como diz no texto, vamos voltar aos nossos elementos. A tocar, a sentir, a cheirar, ver; a degustar, a ouvir. A comer, com sabor, a sentir e a ver a natureza, a voltarmos a sentir o toque uns dos outros, e a ouvirmo-nos. Imagino a voltarmos ao mais básico, mas que afinal, não será assim tão básico – precisamos de tão pouco para ser felizes, a felicidade está dentro de nós. O básico é: como não podemos ver isso?



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